Drª Bianca Maria

A família e o autismo

Por: Bianca Maria 

São inúmeras as dúvidas da família quando recebem um diagnóstico de autismo, a partir de então surgem muitas dúvidas e questionamentos, entre eles encontramos: Porque são autistas? De quem é a culpa? Como será o futuro? O que posso fazer?

Sabemos que estar diante de uma realidade como essa causa muitas angústias, inquietações, preocupações, medos e interesses.

Devemos partir do princípio de que muitas perguntas não têm respostas. As causas podem ser diversas e os níveis e consequências também. É necessário observar o comportamento da criança desde bebê, observar os sinais precocemente, tais como: olha nos olhos quando acalentado, atende a chamados, gosta de ser aconchegado, chora demais e sem motivos aparentes, gosta de dormir sozinho desde sempre, esses sinais são perceptíveis desde 6 meses de vida.

Posteriormente podemos partir para os aspectos da comunicação e linguagem: é uma criança que atende a chamados e demonstra interesse nos objetos ao seu redor, é uma criança que busca estar junto, é uma criança que apresenta equilíbrio, coordenação motora, emite sons e ou palavras, consegue se comunicar de alguma forma, somente aponta para os objetos que deseja, esses aspectos são identificados em torno de 1 ano de idade.

Por volta dos 2 anos podemos fechar um diagnóstico de forma precisa através de observação e testes e avaliação médica através de uma equipe multidisciplinar qualificada, sendo composta de: psicólogo, fonoaudiologista, neurologista e psiquiatra infantil.

A partir dessa idade os sintomas ficam mais evidenciados, as crianças apresentam dificuldade para iniciar e terminar uma conversa, utilizam palavras de maneira repetida, faz inversão pronominal, utilizam muito a imitação apresentando dificuldade em criar e elaborar respostas práticas, apresentam dificuldade em encontrar palavras que descrevam suas emoções e sensações, dificuldade em partilhar seus interesses, prefere atividades isoladas e solitárias, apresentam ecolalia, manifestam comportamentos estereotipados, resistência a mudanças, hiper foco, restrições alimentares e falta de coordenação motora global.

O material mais recente que tem sido utilizado por nós psicólogos é o ADOS 2 – Escala de Diagnóstico de Autismo e CARS – Escala de Classificação de Autismo.

As terapias indicadas para o desenvolvimento das habilidades prejudicadas com o transtorno do Espectro Autista são: terapia cognitiva comportamental e ou psicanalítica, equoterapia, psicomotricidade, terapia ocupacional, fonoaudiologia, neurologia, psiquiatria e psicopedagogia.
As famílias precisam ser orientadas, pois para enfrentar tamanho desafio necessitam de apoio emocional e direcionamento.

Qualquer programa de reabilitação só terá sucesso em parceria entre os profissionais envolvidos e a família.